domingo, 5 de maio de 2013

Poetrix

     Alguns dias atrás, em uma conversa de ponto de ônibus, Ravena Monte apresentou-me ao movimento Poetrix. O termo trata de uma construção poética que lembra o oriental Hai-kai, no entanto é mais flexível em relação a estrutura. Prefiro não estender minhas palavras em conceitos e, portanto, deixe ao fim desta postagem um link para a "Bula Poetrix", espécie de manual de instruções para sua produção. Sem mais delongas, vamos ao texto:



Dos USA ao USB
Wireless aproximam pares.
Paredes vão além de lares.
As vidas seguem (por um fio).
(Jonas Jandson)
 
 
http://www.movimentopoetrix.com/visualizar.php?idt=1402047

terça-feira, 16 de abril de 2013

Era uma vez um poeta



Era uma vez um poeta,
Daqueles que zombava
Se uma palavra discreta
Fosse desfecho pru’m verso.
De fato a sua meta
Era combater a treva
Com poesia concreta
E um glossário imenso,
Além de tudo imerso
Num mar de ouro e prata
Imanente ao que usava
Em fulgurantes figuras
De linguagem e pensamento.
O seu poema era isento
De qualquer termo popular.
Embora fosse homem pobre
Sempre esbanjava riqueza.
Toda vez que sentava à mesa
Para escrever outra trova,
Rimava palavra nova
Como moeda de cobre.
Por ironia ou por justiça
Sua poesia era cética.
Apesar de toda métrica
E sua destreza maciça,
Nunca se ouvira notícia
Que um dia o tal versista
Fizesse alguém suspirar.
Em seu poema egoísta,
A soberba doía à vista
Só não encontrava era um lar.
Em que pese à frase tão certa
De toda história infantil:
Numa noite triste de Abril,
Pregou-lhe uma peça o destino.
 Embora renascesse um menino...
Era uma vez um poeta.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Manifesto solitário pró-abolicionismo do regime semi-escravocata clássico-contemporâneo



Não sei se foi tu,
Ó, meu caro Raul,
Ou se foi o teu eu-lírico,
Sob o efeito do etílico,
Que questionou as leis,
Fez da loucura um banquete
De causas inadiáveis,
Anunciou os trens e as naves
Pois ser normal é o cacete!
Quem fala, a mim, não compete,
Desde que não seja marionete.
Repudio de vez em manchete
A roupagem que me veste.
Poder ser um cowboy do oeste
Até um “cabra da peste”,
Na quentura do nordeste,
Quiçá no frio do Evereste
O fato é este...
Pior que não calçar 36
É ter que usar 36-37.


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Testemunho de um surfista após uma experiência de quase morte



Não é todo dia
Que se vive uma aventura.
A pressão parecia subir,
Podia sentir na boca o gosto de sal.
Olhos vidrados que pareciam temer
O que estava prestes a se consumar.
Caldo, desmaio.
Os cabelos ainda molhados
Eram sacudidos pelo vento.
Mas não era a brisa do mar,
Nem sequer estava na praia.
Acordei na cama de um hospital.
Desligaram o ventilador.
E desde essa data
Nunca mais tomei sopa quente
Minutos antes do banho.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012