domingo, 21 de julho de 2013

O Tempo, O cão e O Poeta



Vendem-se sonhos. Anuncie aqui:
- Pressa? Não tenha tanta.
- O povo diz que ele tenta.
- Papel, pena e tinta!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Soneto de um quase encontro




Miram-na seus olhos petrificados
A despir o busto ainda coberto:
- Embora o céu pareça estar tão perto,
Na lama rastejam os teus amados.

Em teu rebanho nunca serão gados.
Garanhões?! São asnos, tenho por certo.
O amor a ti permanece deserto,
Porque tu jamais olhaste pros lados.

A pobre da moça, olhando pra frente,
Ao encontrar com as córneas distantes,
Mantém um recado em total sigilo:

- Que bonito rapaz! Tão sorridente...
Se ao menos ele me encarasse antes,
Eu teria coragem de segui-lo.
(Jonas Jandson)







sábado, 15 de junho de 2013

Em um sábado qualquer



Hoje reencontrei um velho amigo.
Pra ser sincero,
Reencontro é modo de falar.
Ele sempre esteve por perto
Em vigília de meus passos.
Testemunha das lágrimas
Que, aqui e acolá,
Não pude conter.
Mas como disse antes,
Tenho de fato um amigo
Tão bom quanto um cachorro.
Não exige minha presença,
Ligação, sinal de fumaça...
Ou o mimo que seja.
Definitivamente não!
Permanece sempre ali:
Imóvel, calado,
Apenas no aguardo
De um afago, um cuidado,
Nunca me virou às costas,
Embora seja este o ângulo
Que tem de mim
A maior parte do tempo.
É que ele entende dessas coisas
De ter um colega aqui e outro ali,
Foi bem assim
Que o mundo me convidou
Pra conhecer sua casa
E eu disse: por que não?
Sem saber o quanto
Iria cobrar minha atenção.
Mas é como dizem por aí,
Num desses ditados clichês:
(Que nem sei se de fato existe
Ou é só fruto da minha imaginação)
“a amizade continua
Apesar da distância”.
Ironia é elogio
Ao se falar de ausência
Quando o corpo está presente
E a mente voa longe.
Mas hoje, ah, hoje eu reencontrei
Meu camarada violão!
Em meio aos votos de fidelidade,
Um abraço prolongado
E as promessas de cuidar melhor
Do elo que um dia nascera entre nós,
Sussurrei-lhe ao pé do braço em poucas notas:
Pensei em te comprar cordas novas...
Achei melhor reatar os laços.


domingo, 5 de maio de 2013

Poetrix

     Alguns dias atrás, em uma conversa de ponto de ônibus, Ravena Monte apresentou-me ao movimento Poetrix. O termo trata de uma construção poética que lembra o oriental Hai-kai, no entanto é mais flexível em relação a estrutura. Prefiro não estender minhas palavras em conceitos e, portanto, deixe ao fim desta postagem um link para a "Bula Poetrix", espécie de manual de instruções para sua produção. Sem mais delongas, vamos ao texto:



Dos USA ao USB
Wireless aproximam pares.
Paredes vão além de lares.
As vidas seguem (por um fio).
(Jonas Jandson)
 
 
http://www.movimentopoetrix.com/visualizar.php?idt=1402047