domingo, 10 de novembro de 2013

Soneto de um Domingo à tarde



As córneas mal avistaram luz,
Uma dívida já se faz eterna.
Distante, porém latente: lanterna.
Conta que nem a velhice reduz.

Chaga aberta sem sangue nem pus.
Úlcera crônica, algoz, interna.
Mundo real é um mito (da caverna).
Limites que à vida não faz jus.

Para cada mão que se estendeu
Muitas pernas foram dilaceradas.
Nabucodonosor, Grande irmão...

Davi contra o povo filisteu,
Um filho que sacou suas espadas,
A massa contra Lei de Talião.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Soneto de um sonho adiado



O tubo antropomórfico que jaz
No cômodo de onde vem lamento,
Há pouco registrara mais um tento.
Bálsamo carnavalesco, fugaz.

Dias velozes furtaram a paz.
Ao tempo, não há quem fique isento.
O ano, este maldito rebento,
Vai à socapa: cedo e voraz.

Homem é um bicho sem paciência...
E dor é gestante que pare glória.
Viva! A semente que tudo brota:

Experiência é uma ciência,
Que torna a vitória irrisória
Para os que sabem rir da derrota.

(Jonas Jandson)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Poema para ser lido: R de Razão




R de Razão
Eles: rios sem rumo, versos sem rima.
Eu: o remo da boca que vai à Roma,
 O ramo que sustenta a flor,
A rota que vai além do ângulo reto,
Anti-regra que se impõe aos ber-ros
Bem c omo aquilo em falta
Na linha anterior...
O cromo ainda busca um ímã.
O raio? A quem quer que parta.
O riso? A pessoa ingrata.
O resto? A letra lá de cima.

domingo, 1 de setembro de 2013

Noite fria de Setembro



Quem te viu, quem te vê!
Quem sou eu para ti?
Buscando respostas,
Indago ao céu do meu quintal.
Que tal?
Contemplo e, com o tempo,
Concluo:
Quente mesmo foi,
O mês que passou.

(01/03/2013)

domingo, 21 de julho de 2013

O Tempo, O cão e O Poeta



Vendem-se sonhos. Anuncie aqui:
- Pressa? Não tenha tanta.
- O povo diz que ele tenta.
- Papel, pena e tinta!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Soneto de um quase encontro




Miram-na seus olhos petrificados
A despir o busto ainda coberto:
- Embora o céu pareça estar tão perto,
Na lama rastejam os teus amados.

Em teu rebanho nunca serão gados.
Garanhões?! São asnos, tenho por certo.
O amor a ti permanece deserto,
Porque tu jamais olhaste pros lados.

A pobre da moça, olhando pra frente,
Ao encontrar com as córneas distantes,
Mantém um recado em total sigilo:

- Que bonito rapaz! Tão sorridente...
Se ao menos ele me encarasse antes,
Eu teria coragem de segui-lo.
(Jonas Jandson)